Para aumentar a conscientização sobre autismo a OMS definiu que 02/abril é o dia mundial de conscientização sobre o autismo. Podemos ir além e refletir de forma mais abrangente sobre neurodivergência.
Estima-se que de 15 a 20% da população mundial seja neurodivergente. No Brasil o IBGE pesquisa a neurodivergência junto a demais deficiências, totalizando em pesquisa de julho/2023 (PNAD) um total de 18,9 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência (8,9% do total). Essa mesma pesquisa revela que apenas 29,2% das pessoas com deficiência participam do mercado de trabalho, contra 66,4% da população em geral. Aqui já percebemos dois grandes desafios: quebrar o viés de “deficiência” para que possamos enxergar os talentos e habilidades de um neurodivergentes e a outra é aumentar a participação dos neurodivergente no mercado de trabalho.
O termo neurodiversidade (neurodiversity) foi usado pela primeira vez em 1998 pela jornalista Judy Singer, que cunhou o termo para promover a ideia de que as diferenças neurológicas, como autismo e TDAH, são variações naturais da função cerebral, em oposição a serem vistos como desordens a serem corrigidas. A inclusão na Wikipédia ocorreu somente em 2008 e o uso no meio corporativo começa por volta de 2015, quando as empresas começam a reconhecer as habilidades e talentos da população neurodivergente, tais como maior criatividade, inovação e resolução de problemas.
Os estudantes neurodivergentes na USP, UFRJ, UFSC, Unicamp, UFRGS, Mackenzie, UFSCar, UFABC, Unesp têm procurado formas de se organizar e apoiar mutuamente, como evidenciado pelo Coletivo Autista. Apesar dos esforços individuais e dos recursos disponíveis, como serviços de psiquiatria e psicologia no campus, ainda existem barreiras no acesso a apoio e tratamento adequados para esses alunos neurodivergentes. A universidade é vista como um reflexo dos desafios enfrentados por pessoas neurodivergentes no Brasil, evidenciando a necessidade de mais conscientização e políticas inclusivas no ambiente educacional.
Uma das estratégias do Coletivo Autista para conscientizar professores foi a criação do manual TENHO UM ALUNO AUTISTA, E AGORA?, que está estruturado com capítulos, como: O que é o Transtorno do Espectro Autista?, Níveis de suporte, Crises no autismo, Comorbidades, Direitos dos autistas e Eu tenho um aluno autista. Como proceder?. Leitura e dicas facilmente aplicáveis para empresas.
A Harvard Business Review(1), discute a importância da neurodiversidade nas empresas, destacando como a contratação e integração de profissionais neurodiversos, como aqueles com transtorno do espectro autista (TEA), dislexia, TDAH, entre outras condições, pode trazer benefícios significativos. Empresas pioneiras, como SAP, Hewlett Packard Enterprise (HPE) e Microsoft, estão adotando programas de neurodiversidade para diversificar suas equipes e impulsionar a inovação.
Esses programas envolvem, mas não se limitam a:
· Diagnóstico da cultura inclusiva da empresa e suas práticas;
· Escuta ativa do grupo neurodivergente;
· Parcerias com organizações que apoiam pessoas neurodivergentes;
· Treinamento dos profissionais do RH e gerentes sobre como entrevistar e contratar candidatos neurodivergentes;
· Estruturação dos ecossistemas de suporte no local de trabalho;
· Planos de carreira e processos de avaliação adaptados;
· Criação de grupos de recursos de funcionários para neurodivergentes;
· Organização de eventos e workshops sobre neurodiversidade para conscientização de equipes e comunidade.
Estas ações garantem a integração dos neurodivergentes, visto que todo o ecossistema está preparado e há conscientização dos gestores e colegas sobre o tema e os desdobramentos positivos para a organização: maior produtividade, qualidade aprimorada, capacidade inovadora ampliada e aumento no engajamento dos funcionários.
Embora as empresas enfrentem desafios no recrutamento ao suporte adequado aos talentos neurodiversos, observa-se uma tendência de mudança na forma como as organizações encaram a diversidade, reconhecendo o potencial único e valioso que cada indivíduo traz para o ambiente de trabalho com sua singularidade. A inovação e a competitividade estão se beneficiando desses esforços, que promovem uma cultura mais inclusiva e valorizadora da neurodiversidade.
Referências
(1) HARVARD BUSINESS REVIEW (2017): Neurodiversity Is a Competitive Advantage (hbr.org)
(2) USP (2023): Neurodivergentes: “A Universidade espera que a gente se adapte ao padrão” – Jornal do Campus (usp.br)
Kings & Queens – Transformando diversidade em estratégia para resultados sustentáveis. Gestão Estratégica de Pessoas com foco em inclusão e impacto organizacional. CNPJ: 53.299.789/0001-90
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